É que às vezes…

É que às vezes minha tentativa em encontrar uma redenção se esbarra em sentimentos que às vezes sinto, mas quero parar de sentir, antes que ressinta.

É que às vezes você enxerga mais do que queria enxergar. Feridas profundas mergulhadas em um vasto oceano em forma de olhar. E tudo que você pode ofertar é um abraço. Às vezes tudo o que você precisa é um abraço! E entre abraços e projeções, nomeamos nossa família.

É que às vezes conviver é difícil. E como é! Aceitar que até a nossa família é capaz de nos machucar, isso pode doer! Apesar de família, todos somos diferentes. Todos guardamos nossas próprias dores. É que às vezes fica fácil aceitar e receber de braços abertos a ferida do outro, mas às vezes tudo o que fazem é nos lembrar das nossas próprias.

É que minha intenção sempre foi aprender e reaprender a aceitar cada dia como uma oportunidade de aprender. Sem perder o sono! É que às vezes não consigo dormir pensando nas barreiras que a gente coloca entre a gente e as pessoas, disfarçadas de ódio e rancor.

É que às vezes a vida nos coloca no local e na hora mais propícia para aprendermos a conviver e lidar com nossas maiores feridas. O homem na sua busca por conhecimento aprendeu tanta coisa, dominou técnicas complexas de manipular a tecnologia, as forças da natureza, tanta coisa! Mas às vezes o maior desafio se dá em aprender a dominar a nós mesmos; nossas emoções, nossas intenções, nosso ímpeto, nossa ansiedade, nossa dor…

É que às vezes eu oro… para que toda sensibilidade do mundo seja para promover a paz… a paz de coração. Deixa que os corações se entendam, porque de coração para coração o perdão se instala e toda e qualquer sombra que nos impeça de enxergar o futuro com olhos de criança, se desfaz! Como a neblina que cessa ao amanhecer revelando o dia ensolarado, de prontidão para nos arrebatar e nos ensinar a ser crianças de novo.

Puros, sem medo, confortáveis, alentados, sem abandono, sem ferida. É que todos já fomos crianças um dia e todos sabemos que cedo ou tarde vamos de encontro ao chão. E vai doer, e vai machucar, mas vai sarar! É que às vezes tarda, mas sempre sara!

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Importa?

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Não é sobre se render a outra cultura. É sobre fortalecer sua raiz, se tornar forte e seguro para enfrentar as adversidades.
Ninguém tira de você quem você é, e quando você trilha o caminho do auto-conhecimento dificilmente algo tem chances de ‘dar errado’.
Em contato com sua parte mais real você lembra todos os dias de onde veio e quão importante é sua origem.
Ter a certeza disso é ter certeza de acordar todos os dias e viver, sabendo que está protegido e guiado pelo quê se vive.
‘Seu beijo é um alçapão, seu abraço é uma gaiola que prende meu coração igual moda de viola.’
O mundo não tem força pra te prender mas você pode se prender a quem você é. Essa é a melhor prisão de todas, a prisão na qual você pode ser livre.
Quanto mais você se prende mais você se liberta. Então nada mais importa e tudo importa ao mesmo tempo.

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Tantos rostos por aqui e eu só vejo o seu.
A teoria de que ‘a língua é um obstáculo’ faz mais sentido pra mim agora. Por vezes me pergunto: ‘Por que resolvi sair da minha zona de conforto?’ Logo eu que adoro um conforto venho me perguntando o que tenho e por que decidi me abster disso por um tempo.
Antes de tudo quero agradecer pela vida maravilhosa que possuo e dizer que não trocaria ela por nada. O sentimento que me assombra? Frustração!
Por quê? Porque aqui sou só um indivíduo destituído de história, experiência, amigos ou até mesmo família. Vejo os desabrigados dormindo na rua e me identifico com eles. Às vezes gostaria de andar por aí com um placa escrito ‘Homeless’ só pra constar.
Não sei se é meu senso crítico ou apenas um reflexo da minha frustração, mas todo mundo me parece despreocupado demais. Talvez eu tenha desaprendido a me divertir e aprendido a me preocupar. Não sei qual a dose de desapego que me cabe, desaprendi a medir…
Um dia de cada vez me parece uma eternidade…
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Busco…

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Pelas ruas incontáveis me encontro…
Pelos becos do incompreensível, ando…
Busco… freneticamente busco…
Qualquer avenida… qualquer vida…
no caleidoscópio de olhares, busco…
…freneticamente busco.
Um sentido, uma família…
…qualquer sinal que me leve pra casa,
que me faça lembrar uma fração…
…qualquer pedaço,
qualquer caminho que me faça descansar.
Quanto mais percorro menos me acho…
…quanto menos me acho… busco…
freneticamente busco…

19/11/2017

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Terceiro dia em Melbourne. Tenho acreditado que nada seja difícil. As pessoas são as mesmas, apenas os rostos são diferentes. Quem você realmente é não depende da sua nacionalidade ou da língua que você fala. Você é o que você é, em qualquer que seja as circunstâncias. Sobre a língua, é como se voltasse a ser criança. É preciso coragem, autoconfiança e generosidade para anular seu ímpeto e apenas ouvir, absorver, olhar nos olhos e sentir. Nascemos para nos comunicar, todas as construções humanas neste plano se baseiam nos impulsos externos e como lidamos com isso. Então é como nascer de novo e lutar constantemente para ser alguém, construir uma persona que se identifique com sua essência sem maculá-la. Keep me Strong!

Dor de garganta

ICEBERG

É impressionante a influência do subconsciente na vida cotidiana. Na maioria das vezes não identificamos a causa de uma enfermidade, por exemplo, pensamos que é por causa do clima, da umidade ou qualquer fator externo.

O fato é que dificilmente temos o hábito de buscar dentro de nós as respostas. Não fomos estimulados a isso! E assim vamos vivendo… boicotando nossos próprios sentimentos….

A lei mental é implacável e se manifesta exatamente como a projetamos. O epicentro de nossa dor revela todas as causas. Basta observar… e refletir…. e associar….

Quem nunca se sentiu estranho, fora de eixo sem saber o motivo. Pois eu digo que o motivo está bem na sua cara, ou na sua garganta…